sexta-feira, 13 de agosto de 2021

Países Escandinavos: Felizes e Depressivos

 

Países escandinavos lideram o ranking subjetivo dos países “mais felizes do mundo”, porém se destacam no ranking real de casos de depressão e suicídio. Apenas como comparativo, a média de suicídios nesses países é de 15 casos por 100 mil habitantes, enquanto no Brasil, 6,9!

Esse paradigma é muito complexo para ser explicado de forma simplificada e além de estudar sobre o assunto, busquei por lembranças de viagens que fiz a essa região do planeta.

Entendo que a visão de um turista sofre influência da sua educação, cultura, experiência de vida, formação acadêmica, profissão, etc. Um paisagista, por exemplo, terá naturalmente os olhos mais atentos para praças e jardins de um local. Como cientista político e proprietário de um instituto de pesquisas, não consigo deixar de tentar entender o modo de vida das pessoas, o sistema político, a educação, a cultura, etc. Conversar muito com seus habitantes, resulta em várias “pesquisas qualitativas” através de entrevistas em profundidade.

A união dessas experiências me faz acreditar que três fatores são mais contundentes para tentar entender esse paradigma: natureza, governo e aspectos transcendentais.

Os países escandinavos em boa parte do ano têm apenas duas horas de claridade, ficando praticamente o dia todo na escuridão. Soma-se a falta de luz natural, temperaturas absurdamente baixas, chegando a 20 graus negativos em boa parte do ano.

A natureza obriga as pessoas a ficarem mais reclusas e a vida em família ou sozinha, sem o contato com outras pessoas, faz com que as pessoas aos poucos fiquem mais frias e individualistas. No Brasil sentimos esses efeitos perversos durante a pandemia!

Em relação ao modelo de governo sou obrigado a contextualizar.

Até 1950 os países escandinavos eram essencialmente agrícolas. De 1950 a 1970, as pessoas e não os governos, criaram várias indústrias, muitas delas nas áreas de tecnologia e telefonia, entre elas, campeãs mundiais, tais como a Ericsson e Nokia, experimentando tempos férteis e de muita riqueza.

A riqueza despertou um certo ar de culpa por diferença sociais e os países escandinavos decidiram eleger partidos sociais democratas.

De forma simplificada, a social democracia é uma pequena evolução do socialismo marxista, com visão coletivista. Essa modalidade de governo promete disponibilizar serviços universais de qualidade e reduzir as desigualdades sociais. É o que temos no Brasil desde a promulgação da Constituição de 1988 e que perdura até dos dias atuais.

Para tentar atingir os seus objetivos, as sociais democracias precisam de muito dinheiro. Enquanto os países escandinavos tem carga tributária média de 43%, no Brasil temos 32%, porém, a qualidade dos serviços públicos daqueles países está muito acima dos nossos.

A diferença de 11 pontos percentuais a mais de carga tributária dos países escandinavos não é o único detalhe para explicar tamanha diferença entre a qualidade dos serviços. A aplicação correta desses recursos também pode ser determinante.

No ranking da Transparência Internacional, com notas de Zero a 100, onde zero é Totalmente Corrupto e 100, Totalmente Honesto, o Brasil tem nota 38 e os países escandinavos, 86!

Outro ponto, talvez seja a nossa burocracia! Na educação pública brasileira, praticamente 60% dos servidores estão dentro de gabinetes, enquanto 40% estão na linha de frente.

Lembrando de Margareth Thatcher, a social democracia na Escandinávia deu sinais de esgotamento em 1990, quando o dinheiro começou a minguar e a Suécia, por exemplo, iniciou, paulatinamente, a redução do tamanho do Estado.

As sociais democracias, como todos os governos de esquerda, além das altas cargas tributárias, avançam sobre as liberdades individuais. Porém, para ter boa aceitação da população, adotam atitudes liberalizantes e frívolas (descriminalização das drogas, aborto, etc.). O consumo de drogas e álcool entre os jovens desses países explodiu e hoje representa 80% dos casos de suicídio.

A Suécia, por exemplo, no início da década de 80, aprovou lei facilitando o divórcio, com o agravante de liberar os pais a não pagarem pensão aos filhos e o resultado é drástico até hoje! A média de divórcio nesses países é 5 vezes maior que no Brasil!

Em um mundo normal onde os pais educam e a escola ensina, documentários mostram as escolas da Finlândia sem obrigações (provas e lições de casa) e seus profissionais afirmam que a verdadeira missão para com os alunos é fazer com que eles sejam felizes!

Sim, o documentário falando das “maravilhas” da educação pública da Finlândia é do mesmo diretor que produziu outro documentário, falando das “maravilhas” do sistema público de saúde cubano, algo que conheci, não como turista, mas trabalhando, Sr Michael Moore.

Menos casamentos, menos filhos, mais divórcio, mais álcool, sexo, drogas, festas, todos os tipos de serviços “gratuitos”, enfim, estamos frente ao Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley!

Em relação ao terceiro fator, o transcendental, notamos que os países escandinavos estão entre aqueles que menos acreditam em Deus.

A perda de contato com algo superior e a ausência de responsabilidade com algo ou alguma coisa para estar sempre em busca da pílula da felicidade termina sempre de modo muito frustrante.

A felicidade é o caminho e não um ponto de chegada!

Em casa e sem sentido na vida, a Escandinávia não é um exemplo para o Brasil, mas estamos tentando segui-los.

terça-feira, 29 de junho de 2021

A Pandemia e a Estatística

Sou apenas um cientista social e político que há muitos anos trabalha diuturnamente com pesquisas de opinião que são 100% embasadas em dados e estatística e, diante de tantas informações sobre a pandemia, resolvi tentar analisar esse momento tão complicado da nossa história.

Assistindo a tantas pessoas indo à óbito, o primeiro ponto que eu quis entender foi o quanto a pandemia impactou a vida dos brasileiros.

Para isso, consultei o registro de óbitos oficiais e temos o seguinte quadro:


ANO

POPULAÇÃO

ÓBITOS

DIF ANUAL - Nº

DIF ANUAL - %

2015

204.500.000

905.637

2016

206.200.000

1.027.923

122.286

13,5

2017

207.800.000

1.070.764

42.841

4,2

2018

209.500.000

1.198.920

128.156

12,0

2019

211.000.000

1.266.578

67.658

5,6

2020

211.700.000

1.455.725

189.147

14,9

Notamos na tabela acima que as maiores oscilações ocorreram nos anos de 2016, 2018 e 2020, todos anos  eleitorais, seria apenas uma coincidência? O maior aumento, porém, foi no ano de 2020, primeiro ano da pandemia (14,9%). Por outro, se estávamos em pleno ano de pandemia, porque a diferença percentual não foi gritante, digna do impacto das medidas governamentais e do medo que passávamos?

Outro dado estranho é que, de acordo com os dados oficiais, em 2020 tivemos 194.978 óbitos por Covid. Se subtrairmos esse número dos 1.455.725 óbitos registrados seria a primeira vez na série histórica brasileira que teríamos redução comparativa ano a ano de óbitos no país. 

Que conclusão podemos tirar disso? Houve notificação a maior dos óbitos por Covid no Brasil em 2020? O fato das pessoas ficarem mais em casa, causou redução do número de óbitos no país?

Se os números oficiais apontam que o impacto em 2020 parece não ter ocorrido, não podemos dizer o mesmo de 2021! No comparativo de óbitos de janeiro a maio de cada ano, notamos um aumento absurdo de 42,2% em relação ao ano anterior.


ATÉ MAIO

ÓBITOS

QT

%

2015

370.337

2016

426.990

56.653

15,3

2017

426.551

-439

-0,1

2018

487.883

61.332

14,4

2019

519.777

31.894

6,5

2020

560.248

40.471

7,8

2021

796.714

236.466

42,2

Se em 2020 o Estado (Municípios, Estados e União) tivesse se preparado melhor, conseguiríamos ter menos óbitos em 2021? Talvez! Mas com que estratégias?

Em busca de entender o impacto das várias medidas tomadas, tentei entender o exemplo da cidade de Serrana/SP, com cerca de 50 mil habitantes que foi usada para testar a eficácia da Coronavac. Para mim, essa decisão foi acertada, afinal ciência se faz através de hipótese, tese e antítese e só assim para entendermos melhor a capacidade da vacina.

De acordo com os dados oficiais, Serrana tem hoje 190 óbitos por 100 mil habitantes, abaixo dos 240,2 óbitos por 100 mil habitantes do Brasil o que parece ser uma notícia boa.

Porém, quando comparamos com a cidade de Porto Feliz/SP, também com população próxima aos 50 mil habitantes, onde o seu prefeito (médico de profissão) apostou no tratamento precoce, surge uma dúvida, afinal, essa cidade tem 186 óbitos por 100 mil habitantes, abaixo dos 190 óbitos da cidade de Serrana.

Outros fatos me chamaram a atenção!

A Dinamarca parou a vacinação de sua população após algumas reações graves e apostou em testar em massa a população e hoje lota os estádios na Eurocopa todos sem máscaras! Isso deu resultado?

Resolvi ampliar o meu estudo comparando os dados disponibilizados nos sites World Meters e Our Data (Casos, Óbitos, Testes e Vacinas) de 201 países para avaliar se:

1.Os países que mais realizam TESTES são aqueles que têm menos CASOS?

2.Os países que mais realizam TESTES são aqueles que têm menos ÓBITOS?

3.Os países que mais VACINAM são aqueles que têm menos CASOS?

4.Os países que mais VACINAM são aqueles que têm menos ÓBITOS?

Para essa avaliação, realizei o estudo de Correlação de Pearson. Esse é um estudo estatístico específico para medir a relação entre duas variantes contínuas.

O coeficiente vai de Zero a UM, onde de 0,00 a 0,30 a correlação é considerada DESPREZÍVEL; 0,31 a 0,50 FRACA; 0,51 a 0,70 MODERADA; 0,71 a 0,90 FORTE e 0,91 a 1,00 MUITO FORTE.

Veja o resultado abaixo:

 

TEMA

CORRELAÇÃO

RESULTADO

(+) TESTES = (-) CASOS

0,39

FRACA

(+) TESTES = (-) ÓBITOS

0,21

DESPREZÍVEL

(+) VACINAS = (-) CASOS

0,57

MODERADA

(+) VACINAS = (-) ÓBITOS

0,35

FRACA

Tive casos leves e moderados (com internação!) em minha família, óbitos de pessoas muito próximas, me vacinei, previno a minha saúde e de minha família e vejo muita gente fazendo afirmações com muita certeza sobre um tema que me parece muito obscuro pelo menos para os números.


 


quarta-feira, 19 de maio de 2021

Pesquisas Eleitorais: Você não sabe nada sobre elas!

 

Infelizmente, a deturpação do objetivo das pesquisas eleitorais vem aumentando cada vez mais no Brasil, mas afinal, qual é o verdadeiro objetivo e função das pesquisas?

Pesquisas eleitorais são, apenas e tão somente, a melhor ferramenta de planejamento que temos acesso. Sim, pesquisas não são fontes reveladoras de resultados das urnas, mas são ótimas para entender qual o melhor caminho trilhar e como trilhar.

Explicando analogicamente: Pesquisas não são bolas de cristal! São como o aplicativo de trânsito que indica o melhor caminho e, despretensiosamente, o possível horário que você poderá chegar ao seu destino, caso TUDO dê certo!

O resultado do voto estimulado que estampa as manchetes da grande imprensa nacional é o dado menos importante entre as 200 páginas que uma pesquisa eleitoral deve ter! Vamos entender?

Em um levantamento pessoal, o pesquisador deve entregar um disco com os nomes dos candidatos nas mãos do entrevistado para que esse faça a sua escolha. No caso de pesquisas telefônicas, o pesquisador deverá citar os nomes dos candidatos de forma aleatória. O IBESPE tem o seu próprio sistema de coleta de dados que randomiza automaticamente os nomes para assim, não haver nenhum tipo de influência aos entrevistados.

A pergunta que o pesquisador faz é simples e direta: Se a eleição fosse hoje e esses fossem os candidatos, em quem você votaria para Presidente da República?

Temos diversas condicionantes. Analisemos apenas algumas: A eleição não é hoje! Os candidatos podem mudar! O voto no candidato é convicto? O eleitor realmente irá votar? Veja como é absurda a exposição ou análise de um dado tão frágil como esse!

O IBESPE tem plena consciência da verdadeira função das pesquisas e por isso, NÃO divulga pesquisas eleitorais! Elas devem estar restritas a equipe de campanha e ao candidato para que sejam criadas estratégias para chegar ao seu maior potencial, que poderá ser a vitória ou uma boa derrota.

Outro detalhe risível é acreditar que pesquisas eleitorais mexem com a cabeça dos eleitores! O chamado efeito bandwagon já foi provado várias vezes que é inexistente, pois quando ocorre, a sua oscilação fica dentro da margem de erro amostral! Mesmo assim, em todas as eleições o IBESPE monitora esse efeito. Vamos aos dados mais atuais?

Em estudo realizado pelo IBESPE um dia após a divulgação de uma pesquisa nas eleições da cidade de São Paulo em 2020 tivemos os seguintes resultados: 96,3% não sabiam que havia sido publicada uma pesquisa eleitoral; 3,2% sabiam, mas não tiveram a capacidade de descrever o resultado da pesquisa e 0,8% sabia da pesquisa e soube dizer a ordem apenas dos 3 primeiros candidatos, mas não o percentual de cada um.

A imprensa, que é naturalmente politizada, os eleitores ideológicos (que são a grande minoria!) e os políticos acreditam que o eleitor médio, a população em geral, passa o dia consumindo informações políticas. Isso é um erro absurdo!

Para apoiar ainda mais minhas informações, apresento dados da pesquisa nacional realizada pelo IBESPE entre os dias 16 e 17 de novembro de 2020, um dia após a realização do 1º turno das eleições municipais, em 198 municípios (de todos os portes e estados) para saber daqueles que efetivamente votaram em um candidato a prefeito, o que motivou a tomar essa decisão. 34,2% votaram devido as propostas do candidato, 22,6% porque desejavam mudança e outros 22 temas apareceram como fatores motivadores. As pesquisas eleitorais apareceram em penúltimo lugar com apenas 0,1%! Ironicamente, esse é o mesmo percentual daqueles que assumiram votar porque receberam dinheiro para tomar a decisão!

Sim! A imprensa e os políticos ignoram como funcionam e pra que servem as pesquisas e por isso são enganados! E quem se aproveita dessa situação?

Em 2020 tivemos o crescimento de aproximadamente 300% das pesquisas divulgadas autofinanciadas! O que é isso?

Em anos eleitorais, para uma pesquisa ser divulgada, ela deverá ser registrada antecipadamente no TSE. Nesse registro deverá constar todos os dados técnicos, entre eles o estatístico responsável, o nome do contratado (Instituto de pesquisas) e o contratante (cliente). Pois bem, como explicar, um instituto que é uma empresa e que sobrevive através da venda de seus serviços, ser o Contratado e ao mesmo tempo o Contratante?

Essa ação é realizada em grande parte por institutos criados de forma instantânea, que oferecem o serviço de produção de pesquisas fake para divulgação e, algum político ou equipe de campanha, acabam acreditando que essa “ação de marketing” terá algum efeito.

A imprensa, consciente ou não, divulga essa pesquisa fake e o resultado, como provei acima é inútil. Enfim, o crime eleitoral custa caro e não compensa!

Os institutos conhecidos devem se lembrar que o único patrimônio de um instituto de pesquisas é a sua credibilidade. Ela é inegociável!

Aceitar entrar uma guerra por motivos ideológicos ou financeiros poderá ter algum fruto rapidamente, porém, no longo prazo, será o fim dessa empresa!


sexta-feira, 16 de abril de 2021

O novo atentando contra Bolsonaro

 


A decisão do plenário do STF em anular todos os processos julgados contra o ex-presidente Lula, resultou na liberação do seu nome para estar apto a concorrer em 2022.

Com uma lanterna nas mãos sai em busca de um especialista jurídico isento que concordasse com a decisão. Andei em vão...

Em um Brasil repleto de especialistas que possuem um oceano de conhecimento com um palmo de altura, me coloco como um mero cientista político, proprietário de Instituto de Planejamento Estratégico, que embasa suas análises não nos desejos íntimos e pessoais, mas nas opiniões de milhares de pessoas entrevistadas semanalmente pelo IBESPE. Meu maior desafio é condensar tantas opiniões e tentar traduzi-las em observações.

Noto que a grande mídia se engana quando avalia que os brasileiros estão cansados da polarização! Ela não percebe que os eleitores se fixam ao lado de Bolsonaro e a esquerda mais radical, possivelmente, capitaneada por Lula e o PT, por não vislumbrar outro ator político de maior peso.

Entre esses dois candidatos não existem candidatos de centro. Não por ausência de personagens, mas pelo simples fato de não existir centro na política e na vida! Ninguém tem a capacidade de ser morno e isento a todas as questões. A ideologia e o dinheiro sempre empurram a pessoa para um dos lados.

Atualmente, os candidatos que se apresentam entre os dois nomes não têm capital político, votos! E mais do que isso: todos, menos Lula e Bolsonaro, ainda podem possuir esqueletos no armário e que certamente, darão as caras em uma eleição.

As “pesquisas eleitorais” apresentadas não trazem nenhum tipo de informação, pois esses dados – voto espontâneo e voto estimulado – são os menos importantes dentro de um diagnóstico eleitoral honesto! São apenas duas folhas entre as trezentas que um estudo simplificado deveria ter.

Dizer que Lula vence Bolsonaro ou que Bolsonaro vence Lula é pura especulação! Eleição tem início, meio e fim!

Após 3 anos, posso revelar um pouco dos números de 2018, pois como um instituto técnico, não divulgamos dados de estudos eleitorais.

Bolsonaro se mantinha a frente, porém sofria resistência de uma parte do eleitorado que não sabia de que lado ficar, enquanto a esquerda fincava o pé no terreno de Haddad.

Com apenas 8 segundos na televisão, Bolsonaro teve crescimento extraordinário após o atentado sofrido em 6 de setembro de 2018.

Eleitores médios, que são aqueles que não se envolvem com a política de forma metódica, descobriram um candidato que tinha uma “missão” e que o “sistema” queria derrubá-lo de qualquer forma.

Hoje, nossos estudos apontam que 65% dos brasileiros, em sua grande maioria, eleitores médios, acompanham as notícias através da grande mídia, principalmente pela TV, e não precisa de Agenda setting (estudo que analisa as tendências das notícias) para saber que Bolsonaro não tem um tratamento tranquilo pelas emissoras.

Se um eleitor desejar saber se existe algum fato positivo no governo de Bolsonaro, ele deverá recorrer as redes sociais do próprio Presidente.

No filme das eleições de 2022, Bolsonaro e Lula, interpretarão o papel de Mocinho e Bandido, dependendo apenas de qual lado o eleitor esteja. Teremos muita ação e discussão, porém, a lei eleitoral dará tempo para que Bolsonaro apareça forçosamente na grande mídia para falar do seu governo e suas realizações.

Lula pode ter todos os defeitos do mundo, mas não é burro e sabe disso! O ex-presidente sabe também que um político morre duas vezes, a primeira quando descobre nas urnas que os eleitores não o querem mais e a segunda, quando o destino o retira da vida terrena.

A sua absolvição tem potencial de um segundo atentado contra Bolsonaro, apontando aos eleitores médios, que não desejam Lula e tinham alguma dúvida em depositar mais quatro anos de mandato ao Presidente, que o sistema novamente tentou prejudica-lo e que ele deve vencer.


terça-feira, 6 de abril de 2021

O mundo paralelo dos políticos

 


- João, suas pesquisas não detectaram o que está acontecendo aqui embaixo?

Anos atrás, um político muito importante de Brasília me confidenciou que, em 20 de junho de 2013, a então Presidente Dilma Rousseff, ao ver manifestantes chegando de forma feroz no Palácio do Planalto, ligou para o consultor político João Santana cobrando explicações.

Não há como confirmar se realmente esse diálogo ocorreu ou se é apenas mais uma das lendas urbanas políticas brasileiras, porém, ele mostra algo que é normal e, infelizmente, cada vez mais rotineiro entre os políticos no Brasil.

Políticos são seres humanos comuns e por confiança, sempre se alimentam de informações do seu círculo mais íntimo que por muitas vezes evitam a dura realidade das críticas. Temos que entender que para os amigos e assessores é mais seguro, por motivos profissionais, financeiros ou afetivos, omitir alguma notícia negativa ao seu líder.

Em 2012, com a chegada das redes sociais, o círculo de “assessores” se multiplicou e, a terceirização do gerenciamento das plataformas, afastou ainda mais o político da opinião real dos eleitores.

A máxima de que “todo mundo está dizendo que” virou uma realidade! A disputa por hashtags e trending topics se tornou algo insano e não representam em nada a opinião dos eleitores em geral. Muito pelo contrário!

Em estudos nacionais realizados aqui pelo IBESPE demonstramos que 24% dos eleitores dizem não ter acesso regular a internet. Dos 76% que dizem possuir, 16% afirmam não ter redes sociais e 37% não veem o assunto política nas redes. Para piorar ainda mais, notamos que os seguidores de uma linha de pensamento ficam apenas em sua bolha, reduzindo ainda mais o alcance de uma mensagem política nas redes sociais. Outro ponto fundamental para essa análise, é entender quais são as redes sociais da sua cidade e estado que mais os eleitores fiéis e potenciais acessam para os assuntos políticos. E mais! Os eleitores querem cada vez mais por políticos com posicionamento! Ter atenção ao conteúdo e a forma de transmitir a sua mensagem é fundamental. Enfim, são tantas variantes que acabam para reduzir demais o alcance das mensagens!

A insanidade de delegar uma campanha e um mandato exclusivamente para as redes sociais é crescente! Chegamos ao absurdo de Senadores da República perguntarem a opinião de seguidores em uma votação em plenário! Esses políticos devem ser conscientes de que não há dificuldade de forças externas e contrárias a eles criarem grupos de pressão e desvirtuar a sua votação.

Sempre deixo muito claro de que as redes sociais são importantes e complementares, mas foram alçadas ao nível essencial pelos políticos de forma irresponsável.

Notamos através de estudos que a desconexão dos políticos com a temperatura das ruas é crescente!

A forma mais confiável de buscar informações e entender o real sentimento dos eleitores continua sendo através de pesquisas de opinião. Porém, pesquisas devem ser profundas, densas, com planejamento geográfico e com análises técnicas para embasarem as estratégias políticas, até mesmo da atuação do político nas redes sociais.

Voltando a possível história do início do texto, temos um dilema: Se as pesquisas de João Santana não detectaram é por que foram mal feitas e se detectaram, Santana não foi sincero em avisar Dilma que algo muito ruim poderia acontecer.

Nós do IBESPE, em abril de 2013, em pesquisa realizada na cidade de São Paulo, apesar da aprovação de 65% de Dilma, notamos que algo muito ruim poderia acontecer. Em análise retrospectiva, 78% dos eleitores acreditavam que o Governo Dilma era pior do que o Governo de Lula e em análise prospectiva, 82% acreditavam que se continuasse da forma que estava, o Brasil iria piorar.


quarta-feira, 10 de março de 2021

Obrigado Fachin!

 


A decisão monocrática do Ministro do STF Edson Fachin, considerando incompetente a 13ª Vara Federal de Curitiba para o julgamento do ex-presidente Lula, chacoalha de forma brutal o xadrez político para 2022.

Lula, falando em nome do PT, já havia indicado o ex-prefeito da cidade de São Paulo, Fernando Haddad, como o candidato do Partido dos Trabalhadores para 2022. Essa ação deixou muito claro de que o PT, para a sua própria sobrevivência, sabe que precisa ter um nome para a eleição presidencial ou, após todos os casos de corrupção, reduzirá ainda mais de tamanho e importância na política nacional.

Essa atitude de Lula se transformou em um grande obstáculo para as pretensões de um movimento muito bem coordenado, com atores de dentro e de fora da política tradicional e que conta com muito apoio da grande mídia.

Intitulado como Frente Ampla, esse movimento tenta de todas as formas ocupar o estreito espaço entre a esquerda petista e a direita bolsonarista.

O movimento sabe que as pautas identitárias (racismo, feminismo, igualdade de gênero, aborto, entre outras) defendidas pela esquerda (PT, PSOL, etc) não têm apelo aos eleitores médios e que as pautas conservadoras defendidas por Bolsonaro são mais aceitas, porém, o Presidente poderá sofrer algum abalo eleitoral com os resultados sanitários e econômicos da pandemia.

A organização da Frente Ampla chama a atenção pela sua dimensão e poderio financeiro e político e embasada em pautas universais (saúde e emprego para todos, etc.) começava a indicar a possível união de Ciro Gomes (PDT) como cabeça de chapa e Eduardo Leite (PSDB), Governador do RS, como vice.

A escolha de Ciro Gomes é a tentativa de criar um “Bolsonaro” da esquerda e sua missão seria ficar a frente de Haddad para chegar ao 2º turno das eleições com Jair Bolsonaro.

Com a entrada de Lula no jogo o potencial de crescimento da Frente Ampla reduz ainda mais, afinal, o ex-presidente carrega consigo o recall de 8 anos de mandato e uma boa imagem para uma parcela dos eleitores brasileiros.

A estratégia da Frente Ampla começa a cair por terra, pois aumenta de forma considerável a tendência de polarização entre Lula e Bolsonaro formando o 2º turno das eleições de 2022.

Lula agradece a (in) justiça brasileira pela sua soltura e agradece ainda mais Fachin por lhe tornar elegível.

Porém, quem mais agradece a decisão de Fachin é Jair Bolsonaro que não precisará mudar a estratégia antipetista que o colocou na cadeira em 2018, o que dá a ele chance muito maior de vitória nas eleições.

Ao Presidente cabe prestar atenção às próximas movimentações da justiça e da oposição que são cientes do quadro descrito acima e, valerá tudo para impossibilitar a sua reeleição.

terça-feira, 2 de março de 2021

O Público está matando o Privado

 

Nos últimos 30 anos o número de servidores públicos – municipais, estaduais e federais – aumentou em mais de 100%, passando de 5 milhões para cerca de 12 milhões de servidores.

Se na década de 80 o funcionalismo público representava 3,7% da população brasileira, atualmente esse número chega a aproximadamente 6,0%!

Quando analisamos por entes federativos notamos, que nesse mesmo período, o aumento de servidores do Governo Federal foi de 28%, dos Estados 50% e nos municípios, quase 280%!

No quesito aposentados e pensionistas, de acordo com os dados oficiais, temos hoje cerca de 31 milhões de pessoas recebendo seus benefícios previdenciários. O Brasil, conhecido por estar entre os países onde as pessoas se aposentam mais prematuramente, assiste exemplos de pessoas que têm mais tempo recebendo benefício do que de trabalho contribuindo para o sistema previdenciário.

Em se tratando de benefícios, o que dizer do Bolsa Família? Os dados oficiais apontam para 67 milhões de beneficiários!

Em resumo, os números mostram a influência do Estado sobre os brasileiros chegando a absurdos 52,4% da população! Vejamos:

- 12 milhões de servidores públicos (5,7% dos brasileiros)

- 31 milhões de aposentados e pensionistas (14,8% dos brasileiros)

- 67 milhões de beneficiários do Bolsa Família (31,9% dos brasileiros)

Se somarmos a esse grupo majoritário os 54 milhões de jovens abaixo de 18 anos chegamos a 164 milhões de pessoas ou 78,1% dos brasileiros!

A triste conclusão é que hoje, 46 milhões de brasileiros (21,9% da população) busca de alguma forma produzir para que toda essa máquina não pare e é quem mais sofre com as medidas governamentais restritivas durante a pandemia, pagando com o emprego, redução de salário, fechamento de empresas, queda de faturamento, etc.

Ficam aqui alguns questionamentos:

Qual é a contribuição dos 78,1% da população durante esse período?

Houve redução de salário do funcionalismo? Desconto nas aposentadorias? Redução do valor do Bolsa Família?

São questões importantes a serem pensadas quando se for levantar alguma crítica ou punição contra um simples sorveteiro de 35 anos, pai de família, impedido de tentar ganhar o seu sustento na rua.


sábado, 13 de fevereiro de 2021

Quem nega o passado, mata o futuro

 

Não existe progresso se o ponto inicial é desconhecido. Conhecer o passado da sua família, da sua cidade, estado, país e da civilização é fundamental para entender como foram construídas as estradas que te trouxeram até aqui e para onde elas poderão te levar.

Há alguns anos atrás, nas reuniões familiares ou festas, era comum as crianças serem espectadoras das histórias, quase sempre heroicas, dos adultos e dali, aos poucos, ir forjando a sua personalidade, tirando muitas lições de comportamento, honestidade e esforço.

Um simples café com leite a tarde entre irmãos, primos, tios, pais ou avós, em meio a muita discussão e broncas, o passado e suas tradições fundamentavam o futuro ainda incerto, que aos poucos ia sendo pavimentado pela moral e os bons costumes.

Hoje em dia, até mesmo os poucos momentos motivadores de reuniões familiares estão comprometidos. A festa de aniversário foi substituída por um lanche quase solitário em um fast food, o matrimônio definitivamente virou tabu e o funeral, um lapso de tempo para cumprimentos protocolares à parentes que há muitos anos não eram vistos.

A ausência de amigos fiéis capazes de ouvir todos os seus lamentos, te dar conselhos (mesmo que errados!) se tornou algo natural. A criança não troca mais sopapos com o melhor amigo para depois de algumas horas voltarem a brincar juntos. A garota de 15 anos não tem mais para quem contar por qual garoto está apaixonada. Os adultos não têm mais um ouvido disposto a ouvir suas lamentações e medos com o futuro. As pessoas não confiam mais nas pessoas!

O ato de delegar a educação dos filhos à terceiros e ao Estado, transformou as escolas em um depósito de crianças para alívio dos pais que aproveitam o dia para o exercício de sua profissão, mas muitas vezes para futilidades do dia-a-dia.

O ambiente familiar foi tomado por aparelhos eletrônicos que dividem a atenção e as pessoas entre os cômodos, comprometendo totalmente a unidade familiar, transformando o sinal de Wi-fi mais importante do que um abraço.

Apesar de não acreditar na política sem comprovação científica do “fique em casa”, como bom otimista, avaliei que poderia ser a retomada de padrões familiares, basilares para formação de uma sociedade melhor e mais justa.

Meu desejo se mostrou muito maior do que a realidade, afinal, o Estado, a escola e as famílias de hoje estão corrompidas pelo ódio a leitura e a cultura histórica e, mesmo sendo forçados a ficarem por mais tempo dentro de seus lares, mantiveram o padrão de ociosidade mental.

A destruição da sociedade arquitetada por uma minoria organizada, egoísta e ambiciosa, parece estar bem encaminhada.

Desta vez, sendo menos otimista, acredito que a justa vitória da maioria dependera de sua organização, através do retorno às tradições familiares e, pouco a pouco, unindo-se a outras famílias comuns formarão uma base sólida para a construção de um muro de contenção contra a invasão dessa minoria que não se cansará de buscar pelo seu objetivo.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

O Novo Hitler

 

Existem muitos relatos de germânicos idôneos e céticos tentando explicar como foram lentamente envolvidos pelo discurso esfuziante de Adolf Hitler e pela sua ação brutal na década de 30 na Alemanha.

A perseguição implacável contra grupos específicos não afetava o povo alemão como um todo, afinal de contas, o Grande Líder conseguiu convencer que algumas raças e ideologias deveriam ser eliminadas para que o país e o mundo se transformassem em algo melhor.

Apesar da manutenção da imbecilidade incurável de algumas pessoas, após a 2ª Guerra Mundial, a grande maioria do povo alemão reconheceu o erro de apoiar uma ideologia e um doente mental, sobretudo, ao perceber que a perseguição fora impiedosa, não apenas contra os grupos específicos iniciais, mas contra todos aqueles que um dia acabaram contrariando a opinião do Ditador e de sua claque.

Temos consciência de que a história sempre se repete, porém, custamos a acreditar que quase 100 anos depois desse triste momento histórico, assistimos parcimoniosamente, o surgimento de um Novo Hitler, capturando mentes, dividindo povos, incriminando pessoas sem o devido julgamento e assassinando não pessoas, mas suas opiniões.

Hitler tinha a intenção de dominar o mundo através da força, impondo a sua ideologia e eliminando aqueles que pensavam diferente. O Novo Hitler tem o mesmo objetivo, porém, sem usar a força física, vem sendo muito mais efetivo do que seu antecessor em seu objetivo.

Adolf Hitler tirou a vida de aproximadamente 6 milhões de pessoas, em sua maioria judeus e avançou por países e territórios com seu exército. O Novo Hitler colocou o mundo inteiro dentro de sua jaula eletrônica e concede liberdade vigiada a apenas aqueles que pensam como ele deseja.

Se Hitler foi vencido pela coragem e união de líderes e exércitos que não tiveram medo de balas e bombas, hoje parece faltar homens que tenham a coragem de enfrentar os cliques e algoritmos desse Novo Hitler.

Obviamente, da mesma forma que tivemos pessoas gritando e apoiando as atitudes ditatoriais de Adolf Hitler, hoje vemos pessoas comemorando e aplaudindo a ditadura desse Novo Hitler, mas não custa nada avisar que um dia eles poderão vir a ser um próximo Ernst Rohm e não haverá a quem reclamar.