terça-feira, 9 de novembro de 2021

A imagem real e projetada de Moro

 


Em entrevista ao programa Contraponto do Brasil Paralelo de 08 de novembro, Augusto Nunes afirmou que após conhecer e conversar com o ex-juiz e agora candidato, Sérgio Moro, acreditou estar diante de alguém bem intencionado e ingênuo.

Um dia após, no Programa Pânico, o Senador Eduardo Girão do Estado do Ceará, elogiou de forma contundente a operação Lava Jato, justificando assim, a entrada de Moro para a política, pela sua conduta profissional e pessoal. Além disso, Girão acredita que a divisão que o país se encontra atualmente, seria resolvida com a eleição de Moro para a Presidência da República.

Todos os envolvidos nos comentários acima são profissionais e pessoas de ótima reputação, mas que talvez tenham dificuldade em analisar, ainda, de forma mais adequada a história de Sérgio Moro, suas relações políticas, profissionais e suas verdadeiras intenções e ambições pessoais.

Acreditar que o ex-juiz é uma pessoa ingênua, certamente é um exagero. Moro não é um garoto, trabalhou, viveu e tomou decisões sempre sob muita pressão. Claro que a política é um campo muito diferente do que o campo jurídico, mas todos são seres humanos com suas forças e fraquezas. Avaliar que Sérgio Moro é menos inteligente e sagaz que a média dos políticos brasileiros é uma ofensa grave ao ex-juiz.

Girão, que vem se posicionando de forma muito independente, o que é certamente o desejo de seus eleitores e da grande maioria dos eleitores brasileiros, parece acreditar em algo impossível: existir um personagem que possa unir o país.

O Brasil nunca foi um país unido! Em realidade apenas uma voz era ouvida! As redes sociais deram voz a maioria silenciosa que ninguém mais calará! Na minha opinião, a desunião atual é mais frutífera do que o discurso uníssimo de outrora. Falta ainda tempo para calibrar os discursos, o que me parece um pouco difícil para os próximos 20 anos.

Tenho certeza que a eleição de Moro jamais será capaz de unir todos os brasileiros sem nenhum tipo de divergência! Sérgio Moro não agrada Lulistas devido as decisões corretas tomadas ainda como juiz e, também não agrada aos Bolsonaristas, pela sensação de traição contra o Presidente.

Em um texto anterior tomei a liberdade em apresentar alguns pontos que Moro deverá esclarecer sobre sua vida e seu passado, que indubitavelmente, aparecerão durante o período eleitoral.

Acredito que nos próximos meses Moro sentirá a temperatura das eleições e acabará optando por um caminho menos tortuoso, podendo assim, sair para o senado do Estado do Paraná.

Por enquanto, vou torcendo para que eu esteja totalmente equivocado em relação a imagem que tenho plasmada de Sérgio Moro e das ocorrências da operação Lava Jato. Espero que a imagem real de Moro seja exatamente igual a imagem projetada para boa parte dos brasileiros.


sexta-feira, 5 de novembro de 2021

Conselhos a Sergio Moro e Deltan Dallagnol

 

Sérgio Moro e Deltan Dallagnol se afastaram do Ministério Público deixando para trás salários e benefícios invejáveis, estabilidade no emprego e a garantia de uma ótima aposentadoria, tudo para seguir carreira na política.

No MP, Moro e Dallagnol, realizaram um trabalho extraordinário descortinando esquemas que todos já conheciam, porém, por décadas intocáveis. Colocar na prisão personagens graúdos da política e dos negócios foi, sem dúvida, um ato de muita coragem e isso só foi capaz devido à parceria profícua com a imprensa que divulgava de forma histriônica cada uma das ações, resultando em apoio irrestrito da população exausta em ser subjugada pelos Donos do Poder.

Todos os possíveis excessos eram relevados, o que fez com que boa parte da opinião pública se esquecesse de que o MP era e continua sendo formado por pessoas e que, como qualquer uma, têm dentro de si interesses financeiros, ideológicos e de poder.

Ambos têm ótimos atributos e bom potencial para se elegerem à cargos legislativos, mas devem entender que na arena política enfrentarão jogadores muito hábeis e que não aceitarão a derrota de forma amigável.

Sempre que sou consultado para realizar uma pesquisa de planejamento de campanha, pergunto ao político se existe algum “cadáver no armário”. Essa informação é essencial para anteciparmos ataques e identificarmos o potencial do candidato. Moro e Dallagnol estão atentos a essa situação ou estão avaliando seu futuro pela temperatura das redes sociais e por pesquisas que não tocam em pontos sensíveis?

Pautado pelas informações da imprensa, tomo a liberdade de colocar alguns pontos que eles deverão se preparar para o futuro combate. Não detalho cada um deles, pois são casos públicos, mas muito complexos para se tratar nesse curto espaço.

Todas as acusações têm potencial de prejudicar a candidatura de ambos e agora, fora do MP, os dois poderão ter prejuízos muito grandes por não possuírem foro privilegiado, são elas:

 

1.Proteção a Álvaro Dias, FHC, PSDB e Delegado Maurício Moscardi

2.Relação com Open Society, Família Arns e Alexandre de Moraes

3.Caso Banestado e relação com Alberto Youssef

4.Denúncias de Rodrigo Tacla Duran, Hermes Magnus, Delegado Fanton e The Intercept (Vaza Jato)

5.Ações de Erika Marena, Márcio Anselmo e Roberto Leonel no COAF

6.Excessos e possíveis ilegalidades da Lava Jato

7.Saída do Governo de Jair Bolsonaro (atitudes, vazamentos e repercussão na Bolsa de Valores)

8.Disney Rosseti e operação abafa na Lava Jato no Estado de SP

9.Partido dos Procuradores e criação de Fundação com dinheiro da Lava Jato

10.Alvarez & Marsal

11.Tentativa de nomeação de PGR ligado a Lava Jato

Por sobrevivência, Moro e Deltan, precisam ser eleitos, porém, boa parte dos políticos e eleitores (Lulistas pela prisão e Bolsonaristas pela traição) estão sedentos por vingança.

Nossos estudos apontam para a dificuldade de Moro e Dallagnol se elegerem para cargos executivos (Presidente e Governador) e por isso, dou apenas mais um conselho: saia ao legislativo!


segunda-feira, 18 de outubro de 2021

A PEC da vingança


Em 2008 eu ocupava o cargo de secretário municipal de saúde de Itanhaém/SP e um senhor apareceu em minha sala exigindo ser atendido. Ele relatava que seu filho havia nascido há 6 meses em São Paulo, Capital, e ainda se encontrava em uma incubadora dentro do hospital.

Estranhamente, todo o pré-natal, bem como o parto ocorreram na Capital, mesmo assim, ele, recém chegado na cidade, exigia que enviássemos um documento obrigando o hospital a dar alta para que ele pudesse trazer a criança para casa.

Me incomodei com a frieza com que o pai tratava o assunto e por isso pedi 7 dias para lhe dar um retorno. Nesse intervalo pedi que uma equipe técnica multidisciplinar (médico, fisioterapeuta, psicólogo e enfermeira) fosse ao hospital para entender melhor a situação.

Após 7 dias apresentamos ao pai o relatório dessa equipe que evidenciava a impossibilidade de a criança sair do ambiente hospitalar, pois era claro o risco de morte.

Inconformado com o resultado, ele foi ao Ministério Público que determinou, sob pagamento de multa, que a criança fosse trazida para a casa dos pais em no máximo 48 horas. Imediatamente pedi uma audiência com a Promotoria e no mesmo dia, eu e a médica responsável fomos a reunião.

Explicamos detalhadamente o caso, o que era a todo momento rechaçado pela promotora, autora da ação. Sem nenhuma esperança, notei que ela era casada e iniciei o seguinte diálogo:

- Dra, estou vendo que a senhora é casada? A Sra tem filhos?

- Tenho uma menina de 3 anos.

- Eu também tenho filhos e se eu estive na situação desse pai, eu jamais tiraria meu filho do hospital. A senhora tiraria sua filha nessas condições?

Ela ficou muito incomodada e antes que pudesse argumentar, fiz mais uma colocação:

- Se a Sra determinar, eu cumpro! Porém, preciso saber quem irá se responsabilizar se essa criança vir a óbitos. Eu que cumpri a determinação ou a Sra que determinou?

Naquele momento, após todo esse embate, a Promotora voltou atrás de sua decisão.

Conto essa história pessoal para exemplificar o que está em jogo com esse Projeto de Emenda Constitucional.

A PEC 05/2021 trata de mudar o número de participantes no Conselho Nacional do Ministério Público e vem sendo acusada, injustamente, de ser uma vingança do Legislativo “corrupto” contra a atuação do Judiciário “incorruptível”.

Precisamos entender que o MP é formado por pessoas que têm seus interesses pessoais, financeiros e ideológicos. Além disso, esses profissionais formados em Direito não têm capacidade técnica para opinar e decidir sobre tudo!

A Deputada Estadual Janaína Paschoal vem denunciando os excessos do judiciário, principalmente em relação a Pandemia. O MP determinou o fechamento de cidades, proibiu a prescrição de medicamentos e tratamentos sem nenhum tipo de conhecimento técnico!

A partir de notícias da imprensa (que também é formada por pessoas e por isso têm interesses pessoais, financeiros e ideológicos!) abrem processos contra empresas e brasileiros e, se depois de muita turbulência for comprovada a sua inocência, ninguém é punido por ter manchado a imagem do acusado.

A Operação Lava Jato foi fundamental para o país, mas pelas informações levantadas através dos vazamentos da operação, podemos supor que excessos e até ilegalidades foram cometidos. Os membros da operação nunca rechaçaram a veracidade dos vazamentos, apenas criticaram (com razão!) a forma criminosa que esse material foi obtido.

Sergio Moro e sua equipe puniram pessoas e empresas e depois, alguns dele foram trabalhar direta e indiretamente para essas empresas na área de compliance. A Petrobrás, por exemplo, já gastou mais com compliance do que a Lava Jato devolveu à empresa! Conflito de interesses? Pode ser!

O MP deve ter liberdade para investigar e acusar, mas também deve ser responsabilizado pelo desvio de conduta de algum de seus membros! Ninguém deve estar imune as leis!

O Brasil não precisa de vingança, mas de legalidade!

E, apenas para fechar o meu caso pessoal, pouco tempo depois, um membro da família me procurou em sigilo, para dizer que o menino veio a falecer após o pai tirá-lo do hospital por conta própria e que o intuito dele, desde o começo, era processar a prefeitura após a morte do filho!



sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Caminho longo e sem volta

Grosso modo, nossos estudos mostram que Bolsonaro tem cerca de 1/3 do eleitorado a seu favor, 1/3 contra e 1/3 reúne: indecisos, possíveis abstenções e nulos, nomes da 3ª via e aqueles que balançam entre Bolsonaro e Lula, conforme o momento socioeconômico.

Os 33% de Bolsonaro são muito convictos e com baixo potencial de abstenção. Já os 33% contrários, mais próximos a Lula, são menos convictos e com alto potencial de abstenção (metodologia exclusiva do IBESPE).

Bolsonaristas duvidam desses dados, pois recorrem ao volume das manifestações de rua e redes sociais, invocando o tal “DataPovo”. Ignoram que, em números aproximados, 33% dos eleitores resulta em 48 milhões e se 10% deles se manifestarem, falamos em 5 milhões de pessoas!

Os 33% restantes, apesar de estarem tomados pelo desânimo sanitário e econômico, sobretudo por notícias negativas do Governo e do Presidente, têm perfil mais à direita. As opções da 3ª via têm perfil mais à esquerda e, essa desconexão, talvez explique a baixa relevância eleitoral desse grupo.

Por esses motivos, o meio político e o establishment sabem que Bolsonaro tem muita força para 2022 e tirá-lo da cadeira, através de impeachment ou impugná-lo, seria o cenário ideal para a volta da disputa histórica entre a social-democracia e a esquerda.

Essa medida colocaria o país em conflagração, porém, o perfil pacífico dos apoiadores de Bolsonaro causaria barulho e volume, mas não meios para uma possível revolução.

A 2ª opção oposicionista possível, seria bloquear a pauta política e econômica desgastando o Governo e, por fim, reduzindo o potencial de votos do Presidente.

Catapultar Bolsonaro da cadeira ou enfraquece-lo a ponto de torná-lo inelegível abrirá espaço para o surgimento de outro personagem com as mesmas características ideológicas e sem a reprovação pessoal do Presidente (Ministro Tarcísio?).

É um equívoco acreditar em um tal “Bolsonarismo bovino”. A maioria silenciosa, há 30 anos calada, se uniu em torno desse personagem e, ainda sem literatura e cultura necessária para o domínio da nação, vem se organizando. Não haverá volta!

Diante desse quadro, entendo que o país ficará travado, transformando o cenário político e econômico o pior possível e as ações para calar a onda conservadora aumentarão.

Nós, o Povo, sonhamos com o protagonismo, mas da forma que o Estado brasileiro está, continuaremos espectadores e financiadores dele, nos dando ao luxo de poder sorrir com vídeos do Tik Tok, por enquanto.


sexta-feira, 13 de agosto de 2021

Países Escandinavos: Felizes e Depressivos

 

Países escandinavos lideram o ranking subjetivo dos países “mais felizes do mundo”, porém se destacam no ranking real de casos de depressão e suicídio. Apenas como comparativo, a média de suicídios nesses países é de 15 casos por 100 mil habitantes, enquanto no Brasil, 6,9!

Esse paradigma é muito complexo para ser explicado de forma simplificada e além de estudar sobre o assunto, busquei por lembranças de viagens que fiz a essa região do planeta.

Entendo que a visão de um turista sofre influência da sua educação, cultura, experiência de vida, formação acadêmica, profissão, etc. Um paisagista, por exemplo, terá naturalmente os olhos mais atentos para praças e jardins de um local. Como cientista político e proprietário de um instituto de pesquisas, não consigo deixar de tentar entender o modo de vida das pessoas, o sistema político, a educação, a cultura, etc. Conversar muito com seus habitantes, resulta em várias “pesquisas qualitativas” através de entrevistas em profundidade.

A união dessas experiências me faz acreditar que três fatores são mais contundentes para tentar entender esse paradigma: natureza, governo e aspectos transcendentais.

Os países escandinavos em boa parte do ano têm apenas duas horas de claridade, ficando praticamente o dia todo na escuridão. Soma-se a falta de luz natural, temperaturas absurdamente baixas, chegando a 20 graus negativos em boa parte do ano.

A natureza obriga as pessoas a ficarem mais reclusas e a vida em família ou sozinha, sem o contato com outras pessoas, faz com que as pessoas aos poucos fiquem mais frias e individualistas. No Brasil sentimos esses efeitos perversos durante a pandemia!

Em relação ao modelo de governo sou obrigado a contextualizar.

Até 1950 os países escandinavos eram essencialmente agrícolas. De 1950 a 1970, as pessoas e não os governos, criaram várias indústrias, muitas delas nas áreas de tecnologia e telefonia, entre elas, campeãs mundiais, tais como a Ericsson e Nokia, experimentando tempos férteis e de muita riqueza.

A riqueza despertou um certo ar de culpa por diferença sociais e os países escandinavos decidiram eleger partidos sociais democratas.

De forma simplificada, a social democracia é uma pequena evolução do socialismo marxista, com visão coletivista. Essa modalidade de governo promete disponibilizar serviços universais de qualidade e reduzir as desigualdades sociais. É o que temos no Brasil desde a promulgação da Constituição de 1988 e que perdura até dos dias atuais.

Para tentar atingir os seus objetivos, as sociais democracias precisam de muito dinheiro. Enquanto os países escandinavos tem carga tributária média de 43%, no Brasil temos 32%, porém, a qualidade dos serviços públicos daqueles países está muito acima dos nossos.

A diferença de 11 pontos percentuais a mais de carga tributária dos países escandinavos não é o único detalhe para explicar tamanha diferença entre a qualidade dos serviços. A aplicação correta desses recursos também pode ser determinante.

No ranking da Transparência Internacional, com notas de Zero a 100, onde zero é Totalmente Corrupto e 100, Totalmente Honesto, o Brasil tem nota 38 e os países escandinavos, 86!

Outro ponto, talvez seja a nossa burocracia! Na educação pública brasileira, praticamente 60% dos servidores estão dentro de gabinetes, enquanto 40% estão na linha de frente.

Lembrando de Margareth Thatcher, a social democracia na Escandinávia deu sinais de esgotamento em 1990, quando o dinheiro começou a minguar e a Suécia, por exemplo, iniciou, paulatinamente, a redução do tamanho do Estado.

As sociais democracias, como todos os governos de esquerda, além das altas cargas tributárias, avançam sobre as liberdades individuais. Porém, para ter boa aceitação da população, adotam atitudes liberalizantes e frívolas (descriminalização das drogas, aborto, etc.). O consumo de drogas e álcool entre os jovens desses países explodiu e hoje representa 80% dos casos de suicídio.

A Suécia, por exemplo, no início da década de 80, aprovou lei facilitando o divórcio, com o agravante de liberar os pais a não pagarem pensão aos filhos e o resultado é drástico até hoje! A média de divórcio nesses países é 5 vezes maior que no Brasil!

Em um mundo normal onde os pais educam e a escola ensina, documentários mostram as escolas da Finlândia sem obrigações (provas e lições de casa) e seus profissionais afirmam que a verdadeira missão para com os alunos é fazer com que eles sejam felizes!

Sim, o documentário falando das “maravilhas” da educação pública da Finlândia é do mesmo diretor que produziu outro documentário, falando das “maravilhas” do sistema público de saúde cubano, algo que conheci, não como turista, mas trabalhando, Sr Michael Moore.

Menos casamentos, menos filhos, mais divórcio, mais álcool, sexo, drogas, festas, todos os tipos de serviços “gratuitos”, enfim, estamos frente ao Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley!

Em relação ao terceiro fator, o transcendental, notamos que os países escandinavos estão entre aqueles que menos acreditam em Deus.

A perda de contato com algo superior e a ausência de responsabilidade com algo ou alguma coisa para estar sempre em busca da pílula da felicidade termina sempre de modo muito frustrante.

A felicidade é o caminho e não um ponto de chegada!

Em casa e sem sentido na vida, a Escandinávia não é um exemplo para o Brasil, mas estamos tentando segui-los.

terça-feira, 29 de junho de 2021

A Pandemia e a Estatística

Sou apenas um cientista social e político que há muitos anos trabalha diuturnamente com pesquisas de opinião que são 100% embasadas em dados e estatística e, diante de tantas informações sobre a pandemia, resolvi tentar analisar esse momento tão complicado da nossa história.

Assistindo a tantas pessoas indo à óbito, o primeiro ponto que eu quis entender foi o quanto a pandemia impactou a vida dos brasileiros.

Para isso, consultei o registro de óbitos oficiais e temos o seguinte quadro:


ANO

POPULAÇÃO

ÓBITOS

DIF ANUAL - Nº

DIF ANUAL - %

2015

204.500.000

905.637

2016

206.200.000

1.027.923

122.286

13,5

2017

207.800.000

1.070.764

42.841

4,2

2018

209.500.000

1.198.920

128.156

12,0

2019

211.000.000

1.266.578

67.658

5,6

2020

211.700.000

1.455.725

189.147

14,9

Notamos na tabela acima que as maiores oscilações ocorreram nos anos de 2016, 2018 e 2020, todos anos  eleitorais, seria apenas uma coincidência? O maior aumento, porém, foi no ano de 2020, primeiro ano da pandemia (14,9%). Por outro, se estávamos em pleno ano de pandemia, porque a diferença percentual não foi gritante, digna do impacto das medidas governamentais e do medo que passávamos?

Outro dado estranho é que, de acordo com os dados oficiais, em 2020 tivemos 194.978 óbitos por Covid. Se subtrairmos esse número dos 1.455.725 óbitos registrados seria a primeira vez na série histórica brasileira que teríamos redução comparativa ano a ano de óbitos no país. 

Que conclusão podemos tirar disso? Houve notificação a maior dos óbitos por Covid no Brasil em 2020? O fato das pessoas ficarem mais em casa, causou redução do número de óbitos no país?

Se os números oficiais apontam que o impacto em 2020 parece não ter ocorrido, não podemos dizer o mesmo de 2021! No comparativo de óbitos de janeiro a maio de cada ano, notamos um aumento absurdo de 42,2% em relação ao ano anterior.


ATÉ MAIO

ÓBITOS

QT

%

2015

370.337

2016

426.990

56.653

15,3

2017

426.551

-439

-0,1

2018

487.883

61.332

14,4

2019

519.777

31.894

6,5

2020

560.248

40.471

7,8

2021

796.714

236.466

42,2

Se em 2020 o Estado (Municípios, Estados e União) tivesse se preparado melhor, conseguiríamos ter menos óbitos em 2021? Talvez! Mas com que estratégias?

Em busca de entender o impacto das várias medidas tomadas, tentei entender o exemplo da cidade de Serrana/SP, com cerca de 50 mil habitantes que foi usada para testar a eficácia da Coronavac. Para mim, essa decisão foi acertada, afinal ciência se faz através de hipótese, tese e antítese e só assim para entendermos melhor a capacidade da vacina.

De acordo com os dados oficiais, Serrana tem hoje 190 óbitos por 100 mil habitantes, abaixo dos 240,2 óbitos por 100 mil habitantes do Brasil o que parece ser uma notícia boa.

Porém, quando comparamos com a cidade de Porto Feliz/SP, também com população próxima aos 50 mil habitantes, onde o seu prefeito (médico de profissão) apostou no tratamento precoce, surge uma dúvida, afinal, essa cidade tem 186 óbitos por 100 mil habitantes, abaixo dos 190 óbitos da cidade de Serrana.

Outros fatos me chamaram a atenção!

A Dinamarca parou a vacinação de sua população após algumas reações graves e apostou em testar em massa a população e hoje lota os estádios na Eurocopa todos sem máscaras! Isso deu resultado?

Resolvi ampliar o meu estudo comparando os dados disponibilizados nos sites World Meters e Our Data (Casos, Óbitos, Testes e Vacinas) de 201 países para avaliar se:

1.Os países que mais realizam TESTES são aqueles que têm menos CASOS?

2.Os países que mais realizam TESTES são aqueles que têm menos ÓBITOS?

3.Os países que mais VACINAM são aqueles que têm menos CASOS?

4.Os países que mais VACINAM são aqueles que têm menos ÓBITOS?

Para essa avaliação, realizei o estudo de Correlação de Pearson. Esse é um estudo estatístico específico para medir a relação entre duas variantes contínuas.

O coeficiente vai de Zero a UM, onde de 0,00 a 0,30 a correlação é considerada DESPREZÍVEL; 0,31 a 0,50 FRACA; 0,51 a 0,70 MODERADA; 0,71 a 0,90 FORTE e 0,91 a 1,00 MUITO FORTE.

Veja o resultado abaixo:

 

TEMA

CORRELAÇÃO

RESULTADO

(+) TESTES = (-) CASOS

0,39

FRACA

(+) TESTES = (-) ÓBITOS

0,21

DESPREZÍVEL

(+) VACINAS = (-) CASOS

0,57

MODERADA

(+) VACINAS = (-) ÓBITOS

0,35

FRACA

Tive casos leves e moderados (com internação!) em minha família, óbitos de pessoas muito próximas, me vacinei, previno a minha saúde e de minha família e vejo muita gente fazendo afirmações com muita certeza sobre um tema que me parece muito obscuro pelo menos para os números.


 


quarta-feira, 19 de maio de 2021

Pesquisas Eleitorais: Você não sabe nada sobre elas!

 

Infelizmente, a deturpação do objetivo das pesquisas eleitorais vem aumentando cada vez mais no Brasil, mas afinal, qual é o verdadeiro objetivo e função das pesquisas?

Pesquisas eleitorais são, apenas e tão somente, a melhor ferramenta de planejamento que temos acesso. Sim, pesquisas não são fontes reveladoras de resultados das urnas, mas são ótimas para entender qual o melhor caminho trilhar e como trilhar.

Explicando analogicamente: Pesquisas não são bolas de cristal! São como o aplicativo de trânsito que indica o melhor caminho e, despretensiosamente, o possível horário que você poderá chegar ao seu destino, caso TUDO dê certo!

O resultado do voto estimulado que estampa as manchetes da grande imprensa nacional é o dado menos importante entre as 200 páginas que uma pesquisa eleitoral deve ter! Vamos entender?

Em um levantamento pessoal, o pesquisador deve entregar um disco com os nomes dos candidatos nas mãos do entrevistado para que esse faça a sua escolha. No caso de pesquisas telefônicas, o pesquisador deverá citar os nomes dos candidatos de forma aleatória. O IBESPE tem o seu próprio sistema de coleta de dados que randomiza automaticamente os nomes para assim, não haver nenhum tipo de influência aos entrevistados.

A pergunta que o pesquisador faz é simples e direta: Se a eleição fosse hoje e esses fossem os candidatos, em quem você votaria para Presidente da República?

Temos diversas condicionantes. Analisemos apenas algumas: A eleição não é hoje! Os candidatos podem mudar! O voto no candidato é convicto? O eleitor realmente irá votar? Veja como é absurda a exposição ou análise de um dado tão frágil como esse!

O IBESPE tem plena consciência da verdadeira função das pesquisas e por isso, NÃO divulga pesquisas eleitorais! Elas devem estar restritas a equipe de campanha e ao candidato para que sejam criadas estratégias para chegar ao seu maior potencial, que poderá ser a vitória ou uma boa derrota.

Outro detalhe risível é acreditar que pesquisas eleitorais mexem com a cabeça dos eleitores! O chamado efeito bandwagon já foi provado várias vezes que é inexistente, pois quando ocorre, a sua oscilação fica dentro da margem de erro amostral! Mesmo assim, em todas as eleições o IBESPE monitora esse efeito. Vamos aos dados mais atuais?

Em estudo realizado pelo IBESPE um dia após a divulgação de uma pesquisa nas eleições da cidade de São Paulo em 2020 tivemos os seguintes resultados: 96,3% não sabiam que havia sido publicada uma pesquisa eleitoral; 3,2% sabiam, mas não tiveram a capacidade de descrever o resultado da pesquisa e 0,8% sabia da pesquisa e soube dizer a ordem apenas dos 3 primeiros candidatos, mas não o percentual de cada um.

A imprensa, que é naturalmente politizada, os eleitores ideológicos (que são a grande minoria!) e os políticos acreditam que o eleitor médio, a população em geral, passa o dia consumindo informações políticas. Isso é um erro absurdo!

Para apoiar ainda mais minhas informações, apresento dados da pesquisa nacional realizada pelo IBESPE entre os dias 16 e 17 de novembro de 2020, um dia após a realização do 1º turno das eleições municipais, em 198 municípios (de todos os portes e estados) para saber daqueles que efetivamente votaram em um candidato a prefeito, o que motivou a tomar essa decisão. 34,2% votaram devido as propostas do candidato, 22,6% porque desejavam mudança e outros 22 temas apareceram como fatores motivadores. As pesquisas eleitorais apareceram em penúltimo lugar com apenas 0,1%! Ironicamente, esse é o mesmo percentual daqueles que assumiram votar porque receberam dinheiro para tomar a decisão!

Sim! A imprensa e os políticos ignoram como funcionam e pra que servem as pesquisas e por isso são enganados! E quem se aproveita dessa situação?

Em 2020 tivemos o crescimento de aproximadamente 300% das pesquisas divulgadas autofinanciadas! O que é isso?

Em anos eleitorais, para uma pesquisa ser divulgada, ela deverá ser registrada antecipadamente no TSE. Nesse registro deverá constar todos os dados técnicos, entre eles o estatístico responsável, o nome do contratado (Instituto de pesquisas) e o contratante (cliente). Pois bem, como explicar, um instituto que é uma empresa e que sobrevive através da venda de seus serviços, ser o Contratado e ao mesmo tempo o Contratante?

Essa ação é realizada em grande parte por institutos criados de forma instantânea, que oferecem o serviço de produção de pesquisas fake para divulgação e, algum político ou equipe de campanha, acabam acreditando que essa “ação de marketing” terá algum efeito.

A imprensa, consciente ou não, divulga essa pesquisa fake e o resultado, como provei acima é inútil. Enfim, o crime eleitoral custa caro e não compensa!

Os institutos conhecidos devem se lembrar que o único patrimônio de um instituto de pesquisas é a sua credibilidade. Ela é inegociável!

Aceitar entrar uma guerra por motivos ideológicos ou financeiros poderá ter algum fruto rapidamente, porém, no longo prazo, será o fim dessa empresa!