segunda-feira, 25 de março de 2019

ANÁLISE NA RÁDIO JOVEM PAN SANTOS EM 25.03.2019


O "Nós contra Eles" de Jair Bolsonaro

Bom dia Paulo, amigos da mesa e ouvintes da Jovem Pan.
Desde que Lula assumiu o seu primeiro mandato em 2003, o discurso sectário do “Nós contra Eles” era algo que me incomodava demais.
Parafraseando o próprio ex-presidente, “nunca antes na história desse país” um governo deixou tão clara a sua intenção em dividir a sociedade entre sexos, classes sociais, cores, raças e regiões do Brasil.
Eu sempre denunciei que isso não passava de estratégia para manter, através de discursos bem elaborados e benefícios públicos, esses eleitores que são a maioria brasileira sob sua égide, enquanto beneficiava empresários para sustentar ele, sua família e seu projeto de poder.
Expus em artigo que a tática de Lula e o PT em alçar o pêndulo social com muita força e velocidade para o lado esquerdo da economia e dos costumes, poderia ter resultado contrário ao esperado por Lula E que a maioria absoluta da sociedade brasileira – liberal na economia e conservadora nos costumes – um dia poderia se revoltar.
Com aparecimento das redes sociais, operação Lava Jato e o surgimento de muitos movimentos e “especialistas”, o que previ acabou acontecendo: o pêndulo social saiu da esquerda, passou com velocidade pelo centro chegando com muita força ao lado direito, elegendo Jair Bolsonaro, que é conservador nos costumes, porém um iniciante sem convicção da doutrina liberal econômica.
Jair Bolsonaro tem agora a oportunidade de unir o Brasil e os brasileiros que como todos os seres humanos buscam por equilíbrio financeiro, espiritual, amoroso e familiar. Ninguém aprecia solavancos e derrapadas. As pessoas odeiam os extremos!
Conclamar o apoio de todos pela reforma da previdência, para o reestabelecimento fiscal dos governos federal, estaduais e municipais E melhorar o ambiente econômico do país é o primeiro passo.
Bolsonaro só foi eleito no 2º turno, pois conseguiu convencer seus eleitores e parte de eleitores de outros candidatos que era a melhor opção para o país. E agora, como Presidente, precisa entender que a democracia é um sistema que depende do consenso e que consenso depende de negociações e que negociações dependem de interesses – bons e maus. A vida e a política são assim!
Porém, a insistência de Bolsonaro em criminalizar a política, esquecer a necessidade de um bom relacionamento com o congresso e persistir com um discurso belicoso que agrada apenas seus seguidores vai desagradando a maioria silenciosa da sociedade brasileira conforme apontam as primeiras pesquisas de 100 dias do governo.
Enfim, o discurso sectário de Bolsonaro e seus seguidores, do “Nós contra Eles”, se assemelham e muito com o discurso de Lula.
O pêndulo social que está no espectro direito da sociedade, poderá fazer o movimento contrário e dessa vez, o centro da política fará tudo para segurá-lo. João Doria parece trabalhar para isso!


segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Os 100 dias do Governo Bolsonaro

De acordo com nossas pesquisas, 65% dos brasileiros estão esperançosos com o novo governo. Esse é um dado muito positivo após o início conturbado do governo passado. Após os problemas apresentados pela social democracia e do Estado como gerente e gestor, pela primeira vez no Brasil teremos um governo com intenções liberais. Em um país onde a população se acostumou a receber “benesses” do Governo, ignorando que elas são pagas com o seu próprio dinheiro através de impostos, Jair Bolsonaro e Paulo Guedes têm uma árdua missão. Fazer em 100 dias de governo a população, o mercado e mídia perceberem que o caminho está correto. Na minha opinião, o reflexo desse novo tempo aparecerá já nas eleições de 2018. No sucesso, com a eleição de prefeitos com visão mais liberal ou no fracasso, com a eleição de prefeitos com visão mais estatizante.

Pesquisa IBESPE sobre Privatização

Nos dias 04 e 05 de janeiro de 2019, nós aqui do Instituto IBESPE realizamos um estudo para entender o que os brasileiros pensam sobre o tema PRIVATIZAÇÃO. Esse estudo detectou que 57% dos brasileiros são contra a privatização das empresas públicas. Esse é um dado que fica muito parecido com o de outras pesquisas já realizadas sobre esse mesmo tema. Porém, nesse estudo nós realizamos a técnica de perguntas projetivas. E o que vem a ser isso? Perguntas projetivas são questões colocadas sobre um assunto para entender ou aprofundar sobre outro assunto. Vamos a elas: Nós quisemos saber se os entrevistados acreditavam que as empresas públicas sofriam influência de políticos em nomeações ou decisões. 89% entendem que sim. Que os políticos influenciam diretamente nas empresas públicas. Quisemos entender também se os entrevistados concordam com essa influência, se acham ela benéfica. 92% são contra os políticos influenciarem nas empresas públicas. Acham isso ruim para a empresa pública. Outro assunto também que quisemos entender foi com relação a eficiência das empresas públicas. 72% entendem que as empresas privadas são mais eficientes. Como sempre afirmo em todas as oportunidades que tenho, pesquisas não foram criadas para satisfazer ideologias, buscar manchetes de jornais ou influenciar a opinião pública e por isso fazemos questão sempre de aprofundar em um tema. Percebam que, apesar da maioria ser contra a privatização das empresas, elas dão razão aos defensores dessa narrativa que querem mais eficiência, redução do tamanho do Estado e menos influência política no Estado. Por isso, na minha opinião, se é de interesse do Governo Federal, Governos Estaduais e Municipais privatizarem, com uma campanha eficiente de comunicação, será fácil mostrar a necessidade para a população em geral.

Temas polêmicos na visão da pesquisa Datafolha

O Datafolha realizou nos dias 18 e 19 de dezembro pesquisa sobre 3 temas muito discutidos: A liberação das armas de fogo no Brasil, Educação Política e Sexual nas escolas. Começando pelo tema liberação de armas de fogo, de acordo com a pesquisa, notamos 61% é contra, ou seja, a maioria. Esse é um tema muito conflitante, pois à população tem pouco conhecimento sobre o assunto. Apenas um exemplo: Nós do IBESPE realizamos pesquisa no mês de setembro 2018 para saber se as pessoas sabiam a diferença entre POSSE e PORTE de armas. E sabe qual foi o resultado? Apenas 16% souberam distinguir entre Porte e Posse de armas. POSSE é o direito da pessoa ter em casa uma arma para, ocasionalmente, se defender. Um sitiante, por exemplo, que tiver o seu sítio invadido. PORTE é o direito da pessoa andar armado na rua, por exemplo. Em 2005 o Governo Lula realizou referendo sobre a proibição da comercialização de armas de fogo e munição no Brasil. 63,9% dos brasileiros foram favoráveis a terem acesso as armas. Apesar do resultado, o governo criou vários obstáculos para quem deseja ter uma arma. O que me chama atenção é que em 2005, 63,9% votaram a favor e em 2013 na pesquisa Datafolha apenas 30% eram favoráveis. Hoje está em 37%! O que ocorreu durante esses anos para a aprovação cair mais de 30 pontos percentuais? Eu não sei! Outro ponto que me chama atenção no Brasil é a tentativa de criminalizar o objeto “arma de fogo” em detrimento do criminoso. Para quem gosta de história, Ramon Mercander matou León Trostski com uma picareta! Ou seja, quando alguém tem a finalidade de assassinar alguém, o objeto é apenas o meio. Eu, Marcelo, jamais teria uma arma em casa, mas não sou contra o direito daquele sitiante do início da minha fala se defender, ou você acha que se ele ligar para o 190 lá do meio do mato haverá tempo hábil para a polícia chegar? Agora, falando sobre os outros 2 temas, a discussão sobre Sexo em sala de aula tem aprovação de 54% dos entrevistados e o tema Política, 71%. Como a pesquisa tem margem de erro de 2 pontos percentuais, tecnicamente, a população está dividida no tema sexo, porém, sobre política, a população está bem convicta. Essa aprovação cresce de acordo com o grau de escolaridade dos entrevistados e também entre as mulheres. Apenas um dado interessante o Datafolha não fez o recorte das pessoas diretamente interessadas no tema: os pais de alunos! Pois é: Sou pai de 2 meninos em idade escolar e acho que entre os defensores da Escola sem Partido e os amantes de Paulo Freire existe uma população incapaz de fazer as 4 operações matemáticas e o Brasil tem pressa de crescer. Não podemos ter ideologia na educação e nem nas pesquisas!

A 1ª semana de Bolsonaro

Em março de 2016, quando Marina Silva liderava as pesquisas com 24%, eu era certamente um dos únicos analistas políticos que indicavam Jair Bolsonaro que pontuava, no máximo 5%, como o pré-candidato com maior potencial de vitória nas eleições de 2018. Essa minha afirmação era formulada pautada em metodologia científica e histórica, pois desde as manifestações de 2013, o Brasil, em sua maioria liberal na economia e conservadora nos costumes, buscava por alguém com esse perfil. As pautas e o discurso de Bolsonaro eram aqueles que mais se encaixavam com as demandas da maioria da sociedade brasileira. Achar que a vitória foi o resultado da “simplicidade” da campanha ou a “informalidade” do então candidato é no mínimo desonestidade intelectual, mas isso foi também um tempero positivo para a imagem de Bolsonaro Porém, governar o Brasil, que é um país complexo e com tantas medidas urgentes a serem tomadas, Bolsonaro deve seguir a cartilha dos grandes líderes da história: Falar pouco, porque o silêncio demonstra sabedoria e ter planejamento nas ações e nos discursos. A informalidade não deve ser confundida com desorganização! Por isso, na minha opinião, essa primeira semana de governo de Jair Bolsonaro foi marcada pela falta de sintonia dos discursos e o excesso de egolatria de sua equipe. A sociedade está cada vez mais feliz nas redes sociais e infeliz na vida real e o meio político parece ter entrado nessa onda. Bolsonaro deve aproveitar os 6 primeiros meses de seu mandato, ainda com alta popularidade para fazer o que Maquiavel ensinou: “Quando fizer o bem, faça-o aos poucos. Quando for praticar o mal, é fazê-lo de uma vez só.” Ele deve tomar decisões que possam ter alguma repercussão negativa no momento, mas muito positiva para história. A oposição e a mídia também devem entender o seu real papel na democracia e buscar discussões mais importantes do que cores e vestidos. Enfim, a campanha eleitoral acabou e o Brasil precisa trabalhar!

Quando e por quê fazer pesquisas

Políticos de sucesso usam pesquisas como ferramenta de planejamento de sua campanha ou de sua gestão. Pesquisas devem ser realizadas apenas quando você precisa entender o que a população pensa. Infelizmente, alguns políticos ouvem demais seus assessores e amigos e pouco os eleitores, por isso, monitorar o que eles pensam sobre você e sua cidade é de suma importância. Por isso quero falar sobre a importância de saber a opinião da população sobre a avaliação de governo. Esse é um dado fundamental para saber se a população deseja mudança ou a manutenção do poder em sua cidade e para isso precisamos de dados técnicos. Aqui no IBESPE, a cada eleição, nós realizamos estudos de parâmetros das avaliações municipais e os seus resultados. Até as eleições de 2016 nós tínhamos o seguinte padrão: prefeitos com aprovação abaixo de 34% perdiam a eleição, de 35% a 50% tinham 60% de sucesso e acima de 50% aprovação, 100% de sucesso. Porém, em 2016 tivemos uma mudança desse padrão que iremos confirmar agora em 2020. Os resultados foram os seguintes: prefeitos com aprovação abaixo de 26% perderam as eleições, de 27% a 41% tiveram 50% de sucesso e acima de 42%, 100% de sucesso. Apenas para citar um exemplo prático, em 2012 em uma cidade que tinha o domínio histórico de um grupo político e onde o candidato do governo tinha quase todos os partidos com ele, nós identificamos que o prefeito, que era desse grupo, tinha aprovação total de apenas 14%, mas em algumas regiões da cidade ele tinha uma ótima aprovação. Então, nossa estratégia foi focar em todas regiões onde ele tinha aprovação abaixo de 30%, pregando mudança do início ao fim da campanha. Apesar das dificuldades financeiras e desigualdade do número de vereadores para divulgar a campanha, acabamos vencendo a eleição. Resumindo: Com o apoio das mídias digitais, a população está mais ciente e crítica às gestões, mas ainda tem medo de grandes mudança, mas começa a perder esse medo! Por isso, identificar como a população avalia o governo de sua cidade em cada bairro, é importantíssimo para entender qual a estratégia e discurso correto a ser tomado desse o início de 2019 até o final das eleições.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

A Carta de Bolsonaro ao Brasil

Em 2002 Lula lançava a Carta ao Povo Brasileiro.

Elaborada por Antonio Palocci, esse documento trazia compromissos de Lula e o PT principalmente com o mercado financeiro, sempre muito receoso com possíveis medidas intervencionistas que pudessem vir abalar a economia do país.

Após o atentado contra Jair Bolsonaro em 05 de setembro de 2018, tomei a liberdade de escrever uma carta para que o então candidato viesse a se comprometer com algo que parte da população se preocupava: o respeito às instituições e a democracia.

A ideia parece ter surtido efeito, pois o site globo.com dias após minha escritura ser distribuída à pessoas próximas da campanha, publicou a matéria, porém com a preocupação dessa carta não ser projetada por um técnico com eu, o que é compreensível, mas por algum membro mais próximo de Bolsonaro, tal qual, General Heleno.

Minha carta, mais do que compromissos com a sociedade brasileira, tinha também a intenção de "humanizá-lo" e possivelmente, mudar a imagem estereotipada que muitas pessoas faziam do candidato devido a declarações (caneladas, na própria opinião de Bolsonaro) no passado.

Por se tratar de história, publico minha carta na íntegra abaixo.

Boa leitura!


Carta à Pátria

Todos os Presidentes da República, bem ou mal, contribuíram de alguma forma para que o Brasil chegasse ao ano de 2018. Porém, o sentimento de que, por motivos ideológicos, o caminho escolhido nos últimos 20 para a nossa sociedade foi equivocado é cada vez maior.
O ano de 2013 foi enfim o grito da maioria silenciosa que vinha cansada de pagar altos impostos e receber em troca serviços de baixíssima qualidade, angustiada em ver casos de corrupção sem nenhum tipo de punição e de assistir a classe política se beneficiando do povo, ao invés de pensar e trabalhar em benefício do povo.
Fiquei muito triste ao ver naquelas manifestações atos de violência, o que parece ter crescido a cada dia mais, potencializada pelo mau uso das redes sociais.
Quando pensei no projeto de ser Presidente no Brasil, não pensei em mim! Pensei que posso contribuir para unir essa nação maravilhosa, miscigenada e que merece respeito.
Sempre preparei meus filhos preocupado em que pessoas eu deixaria para o Brasil, mas hoje me preocupo que país restará a eles e a todos os brasileiros, se seguirmos nesse caminho sem paz, sem o direito de ir e vir, sem justiça social, sem igualdade de oportunidades e sem desenvolvimento econômico.
No tocante à economia, vimos nos anos 90 algum tipo de alento com a implantação do Plano Real, onde pudemos obter uma economia com maior estabilidade, com a possibilidade de planejamento a médio e longo prazo das empresas e do governo. Essa previsibilidade deve ser mantida e melhorada ao máximo, pois os empreendedores do Brasil, bem como os gestores e servidores Federais, Estaduais e Municipais precisam trabalhar com maior solidez.
Já expliquei por diversas vezes o meu posicionamento a época, mas cumpre nessa Carta ressaltar, que apesar de não concordar com alguns pontos, principalmente com as altas taxas de juros que ainda se mantem, foi o melhor para o Brasil.
Apesar da ampla divulgação na imprensa, faço questão de relembrar que votei em Lula no 2º turno das eleições de 2002. Tomei essa decisão, pois entendia que o país necessitava de mudança e tenho que reconhecer que o trabalho realizado na área social, com a unificação dos benefícios implantados pela Sra. Ruth Cardoso e criados pelo economista liberal Milton Friedman, foram a decisão mais acertada possível.
Se o Governo Lula criou o Bolsa Família aprimorando os benefícios criados no Governo FHC temos agora a necessidade de aprimorar ainda mais! Dar maior cobertura, atingir quem realmente precisa, criar portas de saída – tão prometidas e jamais implantadas - e punir aqueles que desviam recursos de um programa governamental tão importante para o atendimento mínimo de cada família beneficiada.
Infelizmente, o Governo Dilma tomou muitas decisões equivocadas nas áreas da economia, energia e infraestrutura. A corrupção dos governos do PT emergiu de forma contundente com a implantação da Operação Lava Jato na qual, como Presidente da República, defenderei com unhas e dentes, e descobrimos que os desvios ideológicos e a pretensão de manter-se no poder por tempo indeterminado, falaram mais alto do que a preocupação com o crescimento do país e a melhoria da qualidade de vida dos brasileiros.
Com tudo isso devo ser sincero em dizer que concordo com as pessoas que diariamente converso nas ruas: o modelo adotado nos últimos 20 anos se esgotou!
Se esgotou na economia, na área social, na educação, no combate a corrupção, na saúde, na segurança, enfim, não há uma área que podemos nos orgulhar dos últimos governos.
Percebo que apesar de todos pontos negativos amplificados pelo governo, nossa população se mantém esperançosa, com o sorriso no rosto, disposta para acordar todas as manhãs e ir em busca do pão de cada dia. Isso me faz ter muita esperança em ver um Brasil feliz, com mais igualdade de oportunidades, com mais segurança e paz.
Não podemos mais ser um país de lapsos! O Brasil precisa de planejamento de médio e longo prazo, de previsibilidade! Um de nossos patrimônios, a criatividade, deve ser usada de maneira pontual! Não podemos mais ser o país de decisões tomadas sobre pressão, de afogadilho! Temos que ter alguém que tome decisões difíceis, que coloque todos brasileiros à frente de algumas pequenas classes organizadas como a classe política.
Todos sabem que sou o candidato que não tem dinheiro, nenhuma estrutura, coligação mínima e mesmo assim consigo aparecer de forma positiva nas pesquisas de intenção de votos! Essa adesão ocorre de maneira natural, pois boa parte da população vê em mim, alguém diferente de todos que já passaram pelo Planalto ou que pretendem ocupar essa vaga.
Não posso nessa Carta ter a pretensão de ofender ou acusar meus oponentes nessa corrida eleitoral, mas devo pontuar que existe muita diferença de projetos, caminhos, histórias de vida e pretensões com o Brasil.
Sei que não sou o candidato preferido da mídia e da classe artística, mas não sou adversário dessa parte da sociedade, muito pelo contrário! Fiz questão de colocar em meu Plano de Governo a necessidade e a importância de termos uma imprensa livre e independente e, apesar de todas as críticas que recebo, tenho orgulho de ter muitos amigos artistas e faço questão de deixar um canal aberto para buscarmos um caminho de melhoria da nossa cultura regional e nacional para assim, termos a possibilidade de potencializar um ativo tão precioso para a geração de emprego e renda no país: o turismo.
O descuido com a área da segurança causa espanto! Não há como um povo se sentir bem em seu país, se em sua própria casa sofre a ação de marginais.
Causa perplexidade quando descobrimos que o investimento em segurança privada supera o investimento em segurança pública. Isso demonstra a total falta de confiança na capacidade do Estado fazer frente ao maior problema que a Nação sofre!
Esse não é o tema que mais preocupa a mim, mas sim a todos os brasileiros!
O crime organizado tomou conta de nosso país, as leis benevolentes, a obstacularização do trabalho das policiais, tudo vem contribuindo para que a população de renda mais alta aumente o muro de suas casas ou pense em sair do país e a população de renda mais baixa se torne refém de marginais.
O tema segurança não afeta apenas a vida e a saúde das pessoas de forma mais direta. Indiretamente, afeta a economia do país com menos pessoas saindo de suas casas para o momento de consumo e lazer, os custos na área da saúde com a violência ou depressão do medo de conviver em uma sociedade com tamanha agressividade e até na educação com a interrupção do ano letivo de crianças e jovens que sonham com um dia melhor.
Infelizmente, as discussões nacionais enviesadas acabam por deturpar uma das minhas bandeiras: a facilitação ao acesso a armas e munição.
Devemos ser claros que em 2005 o governo realizou um referendo, com ampla participação da sociedade, com campanha televisiva pró e contra esse tema e o Brasil decidiu com cerca de 64% dos votos a favor da permissão do comércio de armas e munição.
Através de novas normas, o mesmo governo que propôs o referendo, iniciou processo que chegasse ao ponto de retirar esse direito de todo o cidadão.
É cristalina a deturpação desse tema quando se pensa que a arma, um objeto inanimado, e não o agente criminal, é a causadora da violência e que teremos armas para todos os brasileiros de forma aleatória! Isso é um exagero absurdo!
Atualmente, bandidos conseguem armas de grosso calibre, mesmo não tendo permissão para portar um simples revólver!
Nosso projeto não é de simplesmente armar todo o cidadão de forma indiscriminada e sem critérios! A única coisa que pretendo é dar o direito de escolha do cidadão habilitado a possibilidade de comprar uma arma.
Temos que ser sinceros: o Brasil se descuidou dos cidadãos de bem em prol de uma pacificação da sociedade que nunca existiu!
Chegou o momento de lambermos nossas feridas! A sociedade e as forças policiais estão perdendo de 7 a 1 para o crime organizado e eu, como líder maior da nação, farei questão de estar na linha de frente para virarmos esse placar.
Muitos se assustam com a palavra privatização. Eu também já me assustei, mas creio que chegou a hora de termos uma conversa mais sincera com a população desse lindo país!
Se as pessoas não confiam na classe política para pequenas decisões, porque confiaria a sua velhice, o momento em que o Estado deve devolver parte do que arrecadou com essas pessoas em forma de aposentadoria?
O Estado brasileiro cresceu muito e de forma ineficiente nos últimos anos e com ele a necessidade de arrecadar cada vez mais! Arrecadar significa tirar dinheiro da população para financiar o Estado.
Claro que essa arrecadação resulta em alguns serviços para a população, mas que possuem qualidade muito abaixo do que deveriam.
Reduzir o tamanho do Estado e dar maior eficiência aos serviços públicos deverá ser realizado por qualquer um que ocupe o cargo a partir de janeiro de 2019. A diferença, mais uma vez, é que entre os candidatos mais bem colocados nas pesquisas, apenas eu tenho a clareza e a coragem de explicar os motivos para o qual deve ser feito.
O SUS merece mais atenção! Hoje em dia temos heróis que salvam vidas diariamente na saúde pública e fico estarrecido quando leio nos jornais desvios que ocorrem com verbas nessa área!
Qual a diferença de um assassino que porta uma arma, daquele que rouba medicamentos essenciais para a vida de pessoas?
Na área da educação, a completa inversão de investimentos, resulta e resultará em problemas sérios para a sociedade brasileira. Estamos querendo retirar frutos de uma árvore que possui raízes podres! O aumento indiscriminado de investimentos em universidades a despeito da educação básica, traz um fenômeno negativo para o país!
Precisamos de mais eficiência e eficácia no Poder Público!
Será fundamental priorizar rapidamente o Brasil e seus mais de 5 mil municípios, repensando o pacto federativo do país, logo no início do Governo. Isso fará com que os prefeitos tenham mais dinheiro e autonomia para gerirem suas cidades, ao invés de mendigarem por mais verbas do Governo Federal, o grande arrecadador! Isso é o que chamo de Mais Brasil e Menos Brasília!
Tenho plena convicção que não será de forma automática a mudança de padrão do Brasil que temos hoje para o Brasil que sonhamos, mas sei que apenas uma pessoa honesta e comprometida com o país e o seu povo conseguirá iniciar esse processo.
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, sou alguém que ouço muito as pessoas que me rodeiam e sei das minhas limitações e acho engraçado quando sou criticado por reconhecer a minha necessidade de aprimoramento em algumas áreas.
Aos 63 anos invisto muito tempo em minha qualificação pessoal e jamais farei como outros políticos que passaram pela história do Brasil que um dia fingiram ser honestos ou ótimos gestores.
Aprendi com meus pais que a mentira e a desonestidade são coisas repudiáveis!
A cada dia que passa, mais técnicos, voluntariamente, se aproximam de mim visando me ajudar! Foi assim com Paulo Guedes! Homem de grande qualificação na área econômica e que contribuirá muito para o nosso projeto nacional.
Na área privada, ser um gestor de atitudes deliberativas sempre foi um grande mérito, reconhecido por todos. Porque esse mesmo modelo deve ser criticado na Gestão Pública?
Temos servidores de grande qualidade em todos os níveis de Governo, principalmente no Governo Federal e contarei com todos para uma transição tranquila, respeitando todos os contratos e obrigações que nosso país possui, já iniciando um grande projeto de longo prazo.
Entendo as preocupações que possam vir a ocorrer com a minha possível vitória nas eleições de 2018, toda mudança gera incertezas. Porém, especulações de que seria um novo momento para a classe militar no país é uma especulação de grande desonestidade!
Os militares têm a sua importância e podem sim colaborar para uma sociedade mais justa e segura, mas chegou a hora do Brasil dar um basta nessa divisão intolerante que chegamos!
Todos somos brasileiros e não podemos mais dividirmos nosso país em classes, sexo, faixa etária, religião, cor, raça, etc. Precisamos nos unir!
Por fim, peço licença para falar sobre o fato ocorrido no dia 06 de setembro de 2018, quando sofri uma tentativa de assassinato enquanto era carregado pelo povo de Juiz de Fora.
A facada que sofri me deixará marcas para o resto da vida, no corpo e em minha alma!
Sou um homem preparado para qualquer desafio, mas jamais imaginei que lutar por um Brasil melhor fosse tão hostil e violento.
O Sr. Adélio Bispo de Oliveira que tentou me matar deve responder de acordo com as leis brasileiras. Como sempre preguei em minha caminhada: criminoso deve ser tratado como criminoso!
Porém, eu sou um ser humano, tenente a Deus, cristão e devo perdoar o Sr. Adélio que como eu e todo o povo brasileiro somos vítimas dessa divisão que não foi criada ou alimentada por mim, pois venho combatendo justamente essa hegemonia socialista que coloca brasileiros em lados diferentes visando controlar a todos, dividindo para reinar.
Não podemos mais aceitar mulheres e jovens sendo assassinados por motivos torpes! O Nordeste não pode ser mais usado pela classe política apenas para se manterem no poder e se locupletarem! Que Brasil queremos afinal?
Estou ferido na alma, pois percebi que não foi a minha pessoa que o Sr. Adélio quis atingir, mas a tentativa de calar a única opção de mudança para o país. A única pessoa que foi capaz de aglutinar pessoas comuns em torno de um projeto maior.
Vou continuar a luta por esse Brasil que eu e as pessoas de bem sonhamos!
Sou, com muita honra, Capitão do Exército Brasileiro e serei até o final de minha vida, um soldado dessa Nação.
Brasil acima tudo, Deus acima de todos!”
Jair Messias Bolsonaro, São Paulo, 15 de setembro de 2018

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

O Pêndulo Social

Pessoalmente, sou contra a divulgação de estudos eleitorais por entender que as informações normalmente expostas são de pouca relevância para o planejamento e organização de uma campanha, sua função primordial.

Infelizmente, a popularização desses estudos, criou a falsa impressão de que instituto bom é aquele que “bate com a urna”, excluindo, portanto, todo o trabalho e capacidade dos profissionais de marketing político, estrategistas, questões financeiras, perfil do candidato, capacidade de negociação entre partidos, tempo de rádio e TV, equipe, etc.

Tentar analisar os dados expostos é sempre temerário e fonte de decisões equivocadas.
Os analistas mais experientes sabem disso, mas quem resiste tentar antecipar um resultado, mesmo que ele seja duvidoso? Videntes e cartomantes ganham a vida assim!

Nas eleições de 2.016 na cidade de São Paulo, por exemplo, nossos estudos (como todos os outros), davam larga vantagem ao candidato Celso Russomanno e “analistas” já o colocavam no 2º turno. Porém, o detalhamento dessas informações e cruzamentos de dados, demonstrava que João Doria seria o candidato com maior potencial de vitória. Essas informações estão sempre “escondidas” entre tantos outros dados, mas, erroneamente, o resultado do voto estimulado tem sempre maior exposição e importância para a mídia, políticos inexperientes e população em geral.

Às vezes, perguntas indiretas – projetivas - sobre o pleito, do momento político, da história, das expectativas com o futuro ou dos candidatos podem explicitar uma nova tendência, entender o grau de convicção ou vulnerabilidade do voto e assim buscar decisões mais acertadas.

Entre várias questões sem nenhum vínculo direto com as eleições de 2.018, um detalhe foi detectado em nossos estudos na qual denominei como “Pêndulo Social”.

Tento nas próximas linhas explicar resumidamente.

O Brasil possui um histórico liberal na economia e conservador nos costumes.

O liberalismo dos brasileiros é detectado na natureza empreendedora desse povo, mesmo diante das dificuldades impostas pelo Estado. Isso não começou com Barão de Mauá e não se encerrará com os malfeitos de “Eikes” e ademais.

O conservadorismo nos costumes é notório na religiosidade e na formação das famílias.
Engana-se quem acha que isso começou com o crescimento das religiões evangélicas no Brasil.

Os deputados constituintes de 1.988, os governos que vieram em sequência, a mídia formada em sua maioria com visão progressista, as universidades públicas e o meio artístico tentaram expulsar a pontapés essa natureza brasileira, empurrando na marra e abruptamente o Pêndulo Social à esquerda.

No campo econômico, a população via boquiaberta o inchaço do Estado e a baixíssima qualidade dos produtos e serviços devolvidos pelos impostos cada vez mais altos.

No campo social, assistia a insistente tentativa pelo convencimento de que um novo mundo, sem religião e família seria o caminho ao paraíso.

Apoiada pela popularização da internet e das redes sociais a maioria dos brasileiros, até então silenciosa, organizou-se de forma instantânea no ano de 2013.

Surfando tranquila sem oposição, dominando o Estado, a mídia e a cultura do país, a minoria, se viu confrontada e o discurso de polarização do país, virou sua narrativa.

Na verdade, o Brasil real, discutia em suas casas, nos bares e nas filas cruéis dos serviços públicos essa insatisfação e o Brasil ficcional não esperava por essa reação, o limite contributivo (capacidade de pagar impostos) acendeu a luz vermelha, enfim, a paciência chegou ao fim.

As eleições de 2.018 serão marcadas por vários aspectos, porém a força e velocidade desse pêndulo à direita serão proporcionais à realizada pelos progressistas levando-o à esquerda e certamente, nenhum pré-candidato com essa visão de mundo conseguirá segurar o Pêndulo Social, e consequentemente, os eleitores de seu lado.
Seja quem for – Lula, Haddad, Ciro, Marina e ademais – têm chances muito reduzidas de vencer as eleições.

Jair Bolsonaro, com discurso conservador e estatista, aceitou a orientação do economista competente e liberal, Paulo Guedes. Se o pré-candidato produzir uma nova “Carta aos Brasileiros” com os dogmas de Guedes aumentará mais suas chances de estar no 2º turno. Sua bandeira, a segurança pública, é a mais coerente com as necessidades da população e ninguém conseguirá tomá-la à força.

Para chegar ao 2º turno caberá aos candidatos mais ao centro – Álvaro Dias e Geraldo Alckmin - terem projetos capazes para frear o Pêndulo Social em seu meridiano.

Deverão provar à população que desejam a redução do tamanho do Estado, o fim dos privilégios do funcionalismo público, além de capturar, com inteligência, total ou parcialmente, o tema segurança pública de Bolsonaro.

Certamente, essas minhas opiniões não se basearam nos resultados rasos expostos em pesquisas publicadas, mas na minha insistência em realizar estudos mais densos, afinal é para isso que Gallup criou pesquisas, para indicar tendências e não resultados finais.

Difamam a estatística – ciência primária das pesquisas de opinião – denunciando que os números, ao serem torturados, falam o que o especialista deseja. Puro engano!

Os números, ao serem lidos por quem estudou (e muito!), revelam dados que mudam o mundo e, porque não, uma eleição.